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Maslow nos tempos atuais

  • Foto do escritor: Bruna Lunevie
    Bruna Lunevie
  • 26 de mai.
  • 2 min de leitura

A famosa pirâmide de Maslow nasceu em uma época em que o ser humano ainda lutava majoritariamente por sobrevivência, estabilidade e pertencimento. Comer, dormir, ter segurança, construir relações, conquistar respeito… e então alcançar a tal autorrealização. Pode parece simples no papel., mas foi revolucionário para a época.

No entanto, hoje, em pleno 2026, a pergunta que me faço é: será que, se Maslow criasse essa pirâmide hoje, ela teria a mesma ordem, as mesmas necessidades?


Porque convenhamos… a humanidade mudou. E muito!

Hoje, antes mesmo de suprir necessidades emocionais reais, muita gente sente uma urgência quase desesperadora por validação social e o pior: digital. A autoestima deixou de ser construída internamente e passou para um lugar de vitrine, onde depende de curtidas, visualizações, comentários e aprovação constante. O “pertencer” não acontece mais só em grupos físicos, nas nossas comunidades locais; mas em algoritmos. A aceitação (ou a falta dela) virou métrica.

Talvez, Maslow colocasse o Wi-Fi antes do silêncio nessa nova pirâmide, por exemplo.

O feed, antes do autoconhecimento. A aparência, antes da essência.

Triste? Mas real. Vivemos a era da superficialidade performática. Ninguém está mais interessado em SER nada, parecer que é, já está bom. Cursos rasos prometendocohecimento de anos, em 7 dias, gurus ensinando sucesso sem profundidade, frases prontas substituindo processos reais de transformação. Todo mundo quer parecer evoluído, mas poucos querem encarar o desconforto necessário que a evolução exige.

E é justamente aí que nasce um novo fenôeno social: o bem-estar deixando de ser luxo e virando necessidade primária.


Psicólogos, terapia, academia, autocuidado, descanso, espiritualidade, alimentação equilibrada, pausas conscientes… tudo isso talvez ocupasse hoje a base da pirâmide. Porque, se tem 1 coisa boas que viemos aprendendo nos últimos anos é que, de fato, uma mente em colapso não sustenta realização nenhuma.

O burnout virou epidemia. A ansiedade virou rotina. E a solidão existe até em quem está cercado de seguidores.

A verdade é que talvez Maslow não apagasse sua teoria, apenas atualizaria o mapa da humanidade moderna. Porque o ser humano contemporâneo não está mais apenas tentando sobreviver fisicamente., ou atrás apenas de "sobreviência". Estamos tentando sobreviver emocionalmente em um mundo hiperconectado, acelerado e extremamente comparativo, enquanto tentamos nos encaixar, encontrar o nosso lugar e o nosso conforto interno nisso tudo.

No fim, a grande ironia é que nunca tivemos tanto acesso a tudo… e ao mesmo tempo nunca estivemos tão distantes de nós mesmos. Acho que por essa, nem Maslow esperava.


Bruna Lunevie

CHO - Consulado do Bem-Estar


 
 
 

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